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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Poesia...

Poesia é, talvez, a expressão de sentimentos, emocões e sentidos do poeta em relação àquilo que o rodeia. A poesia consegue tornar visível algo abstrato como os sentimentos, em realidades quase palpáveis.
Uma das formas mais representativas da poesia é o lirismo que não é mais do que a expressão do "eu".
É uma arte; é um dom que só alguns possuem. É con seguir fazer chorar a partir de um motivo para rir. É tão somente viver poesia.


E para deslizar nos grãos de areia deste córrego trago hoje a poesia de Cecilia Meireles.


LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


sábado, 14 de novembro de 2009

Há um caminho a percorrer...

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Poema ilustrado
Fonte: Jornal da Poesia - Fenando Pessoa
Música - La Valse des Monstres
Imagens: Imagebank


Como é por dentro outra pessoa




E para refletir no fim de semana, mais uma mensagem deste grande poeta.

"Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."


Fernando Pessoa


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Gente nova na globosfera

No Blog, Corpo Meu, Minha Morada
"Sou desejo, sou luz, sou poesia, sou palavras ao vento...Sou grito, sou a busca infinita...Por amor, por justiça...Sou cronópio!"
Laís Teixeira
Uma pessoa muito especial a quem dedico este post.



Laís Teixeira



Gotas de Arco Íris


As lágrimas que deslizam em tua face
Marcam a imensidão de tua sensibilidade,
Homem chora sim!
Chora por dor, por amor, por temor!

Lágrima pura e doce como o orvalho,
Que limpa e adoça toda a história,
Marcada por sentimentos trancados!

SENHORAS...E..SENHORES...
De hoje em diante,
Qualquer sentimento que brote no coração do ser humano,
Deve ser derramado em uma cascata de emoção!
Desaguar no pote de lágrimas, fazendo nascer um arco íris!

Por: Laís Teixeira
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Um grande nome da nossa literatua.

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um poeta, romancista, dramaturgo, contista, jornalista e teatrólogo brasileiro, considerado como o maior nome da literatura brasileira, de forma majoritária entre os estudiosos da área. Sua extensa obra constitui-se de nove romances e nove peças teatrais, 200 contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de 600 crônicas.
Aqui uma de suas inúmeras poesias.



Os dois horizontes



Dous horizonte fecham nossa vida:


Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.


Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.


Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.


No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.


Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.


Dous horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A magia da poesia de Cora Coralina

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher." Cora Coralina

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás.

Se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno. Só em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu por muito tempo de sua produção de doces, até ficar conhecida como Cora Coralina, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha.

Nascida em Goiás, Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois que o marido, o advogado paulista Cantídio Brêtas, morreu, em 1934. “Mamãe foi uma mulher à frente do seu tempo”, diz a filha caçula, Vicência Brêtas Tahan, autora do livro biográfico Cora Coragem Cora Poesia. “Dona de uma mente aberta, sempre nos passou a lição de coragem e otimismo.” Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Cora, que começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário. Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida, participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira.

Acervo: 48 pensamentos de Cora Coralina.



Textos inéditos
Do baú de inéditos de Cora Coralina,


Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.


Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão


Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração.


Bati na porta de um coração.

Bati. Bati. Nada escutei.

Casa vazia.

Porta fechada, foi que encontrei...

Cora Coralina

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Poesia brasileira, aqui.

"A forma ousada dos seus versos, de um ritmo livre e bastante pessoal, harmoniza-se com a liberdade de inspiração, onde predomina um forte sensualismo, tão forte que Humberto de Campos notava-lhe nos poemas verdadeiras 'tempestades de carne'... Seus livros provocavam, simultaneamente, admiração e escândalo, já que a poetisa confessava sentir pêlos no vento', desejava penetrar o amado 'pelo olfato, assim como as espiras/invisíveis do aroma...' e declarava, sem rebuços: 'Eu sinto que nasci para o pecado'."

"(...) Gilka Machado foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma. Nem sua ousadia tinha impureza, mas punha à mostra a riqueza de seus sentidos, especialmente de um pouco explorado em poesia, o tato. Sua sensibilidade é requintada, algo excêntrica, mas profundamente feminina."



Baú de Guardados

Pelos caminhos da vida
fechei os olhos às coisas feias,
porém as belas guardei-as
no meu baú de guardados

Por certo ninguém pressente,
vendo sempre vazios
meus braços,
o que conduzem
meus passos
neste baú de guardados

E vou resgatando
em penas,
ai! como venho pagando
em choros
os pequeninos tesouros
do meu baú de guardados


Gilka Machado

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Nostalgia.

Nostaugia...bateu a minha porta e contemplando o córrego da vida, vi surgir a esperança entre os grãos de areia... Fernando Pessoa veio e trouxe essa poesia, vejam!.

Foto: Izelda Maia


Sossega, coração! Não desesperes!

    Sossega, coração! Não desesperes!
    Talvez um dia, para além dos dias,
    Encontres o que queres porque o queres.
    Então, livre de falsas nostalgias,
    Atingirás a perfeição de seres.

    Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
    Pobre esperença a de existir somente!
    Como quem passa a mão pelo cabelo
    E em si mesmo se sente diferente,
    Como faz mal ao sonho o concebê-lo!


    Sossega, coração, contudo! Dorme!
    O sossego não quer razão nem causa.
    Quer só a noite plácida e enorme,
    A grande, universal, solente pausa
    Antes que tudo em tudo se transforme.


    Fernando Pessoa, 2-8-1933.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Poesia em todo canto.

Estava eu, navegando por esta maravilha que é glogosfera, e deparei-me com mais um blog de poesias onde encontrei mais um dos belos poemas de Drummond, e confesso não resisti, copiei e trouxe para as areias deste córrego, para todos nós que gostamos de tudo que nos fala de poesia encher as nossas almas com mais um poema de amor.


Foto: Carlinhos Medeiros


Amor antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


Carlos Drummond de Andrade(Amar se aprende amando)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

o tempo

O tempo...
o caminho...
A VIDA.
O dever de casa de cada um...
deixei de fazer algumas das lições do dever que levei prá casa!? Penso...

Foto: Izelda Maia

A VIDA

A vida são deveres que nós trouxemos pra fazer em casa.

Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!

Agora, é tarde demais para ser reprovado...

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada inútil das horas...

Dessa forma eu digo:
não deixe de fazer algo que gosta
devido à falta de tempo.

A única falta que terá, será desse tempo
que infelizmente... não voltará mais.

Mario Quintana

sábado, 12 de abril de 2008

aqui, mais um poeta...

Este é mais um desconhecido poeta, que ainda não teve a oportunidade de ver sua obra literária publicada. Com seu estilo próprio e peculiar coloca toda sensibilidade de poeta em seus escritos na forma de sonetos, poemas, crônicas e contos.
Carlinhos Medeiros, poeta, músico, cantor e compositor, dono de uma privilegiada voz e de enorme talento. Entretanto, desconhecido do grande público, vive num desses recantos do Brasil, numa cidadezinha do interior do Ceará, no nordeste brasileiro.
Eu particularmente, sou fã número um do seu trabalho, e vou postar aqui algumas de suas poesias.



Teu sorriso alento

Nada vale mais em mim, do que o teu sorriso alento
ao despertar, depois do sono ansioso
em meio às perseguições de um passado vivo
em nervos à flor da pele, como um zumbi perdido
não consigo me entristecer além de meros sonhos

Nada é mais reparador em mim, do que o teu sorriso alento
e nele vejo-te tão suprema, a esperança
a última que se perdeu, e que tanto tanto
reluta habitar-me o peito – a sua eterna morada
um minuto apenas de descanso
querer dormir assim, sem hora para acordar
Enfim, sem fim...

.....................................................

Nove luas

Encontrei-te de uma forma casual,
com o brilho das safiras que cintilam
nas estrelas, acanhadas que desfilam
tua alma de beleza original

Veio a lua vaidosa confirmar
que você era fruto do amor
entre ela e o sol quase a se pôr
numa noite, namorando junto ao mar

E depois de passado nove luas
entre nuvens e marolas quase nuas
saborosamente branca, a luz nasceu

Teu sorriso, tua pele, tua alma
brilham mais do que a própria estrela d’alva
recompensa dessa dor que Deus me deu.

...........................................................

A fotografia

Quando me sinto perdido,
julgado culpado, ofendido,
olho a fotografia
e me recordo o tempo que não se foi.

Sol, sorrisos,
e os verdes campos tão floridos.
Vida extensão da vida aonde
brilham as três marias,
tão lindas e saudáveis,
saudosas felizes paisagens.

E você vendo crescê-las,
bem enquadrada,
brilho, contraste, luz,
em cores perfeitas.

Todos os personagens continuam lá
congelados no tempo,
testemunhando em meu favor,
meu amor,
meu sacrifício.

Mas eu sai desfocado,
perdido, arranhado
na fotografia.
do outro lado da máquina
fria, vazia.

......................................................

Obrigado, meu amigo

Pela amizade que a mim devotas,
por meus valores que você aumenta,
por meus defeitos que você nem nota,
por minha fé que você alimenta.

Por esta paz que nós nos transmitimos,
pelo silêncio que diz quase tudo,
por este pão de amor que repartimos,
por este olhar que me reprova, mudo.

Pela pureza dos seus sentimentos,
pela presença que em todos os momentos
se faz presente mesmo estando ausente,

Por ficar triste quando estou tristonho,
por rir comigo quando estou risonho,
por ser feliz quando me vê contente.

.....................................................

Monsões

Sopra forte o teu vento norte
nas ruas tortas, velhos casarões
sopra tua brisa me trazendo a sorte
notícias dessas terras das monsões

Tua cuviana se traduz: lamento
um grito ao mar, pedido de socorro
teus manguezais, carnaubais e morros
já não suportam mais o sofrimento

Foste tu, terra dos charqueados,
tuas histórias, pastoris, reizados
os teus poetas, médicos e loucos

Como esquecer do rio que te corta
com seu gemido quase não suporta
os seus algozes a matar-lhe aos poucos.

Carlinhos Medeiros

sexta-feira, 7 de março de 2008

...todo dia é dia de mulher...

"As comemorações do 8 de março estão mundialmente vinculadas às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e sociedades mais justas e igualitárias. Essa luta é antiga e contou com a força de inúmeras mulheres que nos vários momentos da história da humanidade resistiram ao machismo e à discriminação."
Carmen Lucia E. Lopes




Mulhres


Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.


Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.


Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.


Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.


Pablo Neruda

domingo, 2 de março de 2008

...como as borboletas...

Ando meio aérea, talvez me sentindo assim, como as borboletas...
Mas, assim como elas, não abro mão de estar com as flores dos jardins...

Dessa vez a foto não é minha, copiei da internet.

O poema é esse lindo presente que o Vinícius de Morais nos deixou.



As Borboletas

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam

Na luz

As belas

Borboletas


Borboletas brancas

São alegres e francas.


Borboletas azuis

Gostam muito de luz.


As amarelinhas

São tão bonitinhas!


E as pretas, então . . .

Oh, que escuridão!


Vinícius de Moraes

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Poesia...

Mais uma bela poesia do nosso grande amigo poeta, Romério Rômulo...



rio acima duas canções se fazem.

alargado meu peito desfalece.

que arcos hão de vir, sombriamente,

falar, cerrado puro, do meu lastro?


e se os risonhos da manhã me deceparem?

acaso sou poesia ou sou manhã?

acaso uma nascente é tão nascente

que só se faça romper pela clausura?


vou de saberes, que saberes estes

são uivos que caminho pelas águas

e águas são de um sólido mais brusco

que desfalecem os ranços já chegados.

cauda selvagem, se me sobra toda

a vida por parir mais que selvagem.


(raso de delírio: o meu cão morto)

romério rômulo

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Poesia brasileira...



"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."
Cecília Meireles



Cecília Meireles, poetisa, professora, pedagoga e jornalista, cuja poesia lírica e altamente personalista, freqüentemente simples na forma mas contendo imagens e simbolismos complexos, deu a ela importante posição na literatura brasileira. Escreveu também em prosa, dedicando-se a assuntos pedagógicos e folclóricos. Sua obra em prosa fala muito de sua infância de menina sozinha, pois era órfã, foi criada por sua avó materna D. Jacinta.
Como professora empenhou-se na renovação da Educação, tendo organizado a primeira biblioteca infantil do país.


Um poema...

É preciso não esquecer de nada

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
em o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquece
r é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.


Cecília Meireles



Foto: Izelda Maia

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

...saudades de minha sogra querida...

Queridos amigos, amigas e visitantes do córrego de areia, depois do “vendaval” de Fernando Pessoa, e que literalmente estamos passando em nossas vidas com a perda irreparável de uma das pessoas mais querida para nós. Estou aqui com o coração pesado de saudades para fazer a ela, que nos deixou tão repentinamente, uma singela homenagem, dedicando-lhe esta poesia.

A foto também é uma homenagem, já que esta paisagem fez parte de sua vida. Um dos lugares que mais gostava, por ter vivido ali boa parte de sua infância.



Sai a passeio


Sai a passeio, mal o dia nasce,

Bela, nas simples roupas vaporosas;

E mostra às rosas do jardim as rosas

Frescas e puras que possui na face.


Passa. E todo o jardim, por que ela passe,

Atavia-se. Há falas misteriosas

Pelas moitas, saudando-a respeitosas...

É como se uma sílfide passasse!


E a luz cerca-a, beijando-a. O vento é um choro

Curvam-se as flores trêmulas... O bando

Das aves todas vem saudá-la em coro...


E ela vai, dando ao sol o rosto brando.

Às aves dando o olhar, ao vento o louro

Cabelo, e às flores os sorrisos dando...


Olavo Bilac (canto XIX, Via Láctea)



Quero aproveitar para desejar a todos e todas um FELIZ ANO NOVO!

Que cada dia de 2008, seja vivido com muitas alegrias, paz, prosperidade e realizações.

Que o mundo tenha menos violência, e que as pessoas sejam mais fraternas e solidárias...

Izelda Maia

domingo, 9 de dezembro de 2007

Vendaval

Hoje trago ao córrego de areia o grande poeta português FERNANDO PESSOA, que em sua primorosa poesia nos remete a uma introspecção de pensamentos e sentimentos.


Foto by: Izelda Maia



Vendaval

Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,

Não achas, soprando por tanta solidão,

Deserto, penhasco, coval mais vazio

Que o meu coração!


Indômita praia, que a raiva do oceano

Faz louco lugar, caverna sem fim,

Não são tão deixados do alegre e do humano

Como a alma que há em mim!


Mas dura planície, praia atra em fereza,

Só têm a tristeza que a gente lhes vê

E nisto que em mim é vácuo e tristeza

É o visto o que vê.


Ah, mágoa de ter consciência da vida!

Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,

Que rasgas os robles - teu pulso divida

Minh'alma do mundo!


Ah, se, como levas as folhas e a areia,

A alma que tenho pudesses levar -

Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia

De eu ter que pensar!


Abismo da noite, da chuva, do vento,

Mar torvo do caos que parece volver -

Porque é que não entras no meu pensamento

Para ele morrer?


Horror de ser sempre com vida a consciência!

Horror de sentir a alma sempre a pensar!

Arranca-me, é vento; do chão da existência,

De ser um lugar!


E, pela alta noite que fazes mais'scura,

Pelo caos furioso que crias no mundo,

Dissolve em areia esta minha amargura,

Meu tédio profundo.


E contra as vidraças dos que há que têm lares,

Telhados daqueles que têm razão,

Atira, já pária desfeito dos ares,

O meu coração!


Meu coração triste, meu coração ermo,

Tornado a substância dispersa e negada

Do vento sem forma, da noite sem termo,

Do abismo e do nada!


Fernando Pessoa, 16-2-1920

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Retornando...

Depois de algum tempo sem alimentar a veia deste córrego, trago-lhes, o que para mim é um verdadeiro achado no acervo literário contemporâneo brasileiro, o poeta mineiro autor do livro “Matéria Bruta”.
Tive a oportunidade de ler algumas de suas poesias e esta é uma das que mais gostei.



"quantos antros e destinos me ataram
pelo avesso da ilha
mágicas só revertem a metade das noites
que as outras são concretos.

quantos avos e destinos me atormentara
o rosto e o osso;
curvei-me a todos para estar perfeito.

a todos busquei ver como água e pedra:
como o olho, retalhei-lhes as faces
o contíguo dos lábios.

pólvoras deixaram meu corpo em frangalhos.
mas atei-lhes os nós e os pedaços
como quem range à utopia.
fiz ver que vales e montanhas são nacos da vida
no fôlego quente da espécie.

quando surgi de mim, fiquei varrido
e meu estado de coisa correu solto".


Romério Rômulo – Matéria Bruta

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Crianças...

Hoje, no Brasil se comemora o dia das crianças, e em homenagem a essa tão importante fase na vida de cada pessoa, vou dedicar este post às crianças do mundo inteiro.

Vi nesta poesia de Tuth Rocha, o quanto precisamos dá mais atenção aos nossos pequeninos..


O Direito das Crianças
Ruth
Rocha


Toda criança do mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida


Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos tem de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos

Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.


Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!


Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.

Um passeio de canoa,
Pão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho à toa...
Contar estrelas no céu...

Ficar lendo revistinha,
Um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha,
Um bom dum cahorro-quente.


Festejar o aniversário,
Com bala, bolo e balão!

Brincar com muitos amigos,
Dar pulos
no colchão.

Livros com muita figura,
Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura...
Alguém para querer bem...

Festinha de São João,
Com fogueira e com bombinha,
Pé-de-moleque e rojão,
Com quadrilha e bandeirinha.

Andar debaixo da chuva,
Ouvir música e dançar.
Ver carreiro de saúva,
Sentir o cheiro do mar.


Pisar descalça no barro,
Comer frutas no pomar,
Ver casa de joão-de-barro,
Noite de muito luar.

Ter tempo pra fazer nada,
Ter quem penteie os cabelos,
Ficar um tempo calada...
Falar pelos cotovelos.

E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferência um colinho.


Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito de ser feliz!

E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferên
cia um colinho.


Uma caminha macia,
Uma canção de ninar,
Uma história bem bonita,
Então, dormir e sonha
r...

Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito a ser feliz!


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Fotos por: Izelda Maia

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Es-pe-ran-ça e poesia...

Eu fico encantada ao ler Mário Quintana, para mim seus poemas são mágicos, ao mesmo tempo que nos remete a realidade, conseguimos viajar na poesia.


Esperança


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Mário Quintana


Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Sophia Anderson

Hoje quando acessei meu blog tive a grata surpresa de algumas visitas, dentre elas, a de uma amiga (virtual) de Portugal, que deixou um verso (comentário) onde cita alguns nomes da literatura portuguesa. Um desses nomes, Sophia Anderson, escritora e poetisa que há pouco partiu, mas que nos deixou belíssimos contos e poemas, é uma das minhas preferidas.


Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

(Sophia Anderson)


E em homenagem a minha amiga PEKENA e a todos os filhos e filhas de Portugal, faço este post com uma das mais belas poesias que já li nos últimos tempos.

Um fim de semana cheio de alegrias... Abraços e flores!

 

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