Carlinhos Medeiros, poeta, músico, cantor e compositor, dono de uma privilegiada voz e de enorme talento. Entretanto, desconhecido do grande público, vive num desses recantos do Brasil, numa cidadezinha do interior do Ceará, no nordeste brasileiro.
Eu particularmente, sou fã número um do seu trabalho, e vou postar aqui algumas de suas poesias.

Teu sorriso alento
Nada vale mais em mim, do que o teu sorriso alento
ao despertar, depois do sono ansioso
em meio às perseguições de um passado vivo
em nervos à flor da pele, como um zumbi perdido
não consigo me entristecer além de meros sonhos
Nada é mais reparador em mim, do que o teu sorriso alento
e nele vejo-te tão suprema, a esperança
a última que se perdeu, e que tanto tanto
reluta habitar-me o peito – a sua eterna morada
um minuto apenas de descanso
querer dormir assim, sem hora para acordar
Enfim, sem fim...
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Nove luas
Encontrei-te de uma forma casual,
com o brilho das safiras que cintilam
nas estrelas, acanhadas que desfilam
tua alma de beleza original
Veio a lua vaidosa confirmar
que você era fruto do amor
entre ela e o sol quase a se pôr
numa noite, namorando junto ao mar
E depois de passado nove luas
entre nuvens e marolas quase nuas
saborosamente branca, a luz nasceu
Teu sorriso, tua pele, tua alma
brilham mais do que a própria estrela d’alva
recompensa dessa dor que Deus me deu.
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A fotografia
Quando me sinto perdido,
julgado culpado, ofendido,
olho a fotografia
e me recordo o tempo que não se foi.
Sol, sorrisos,
e os verdes campos tão floridos.
Vida extensão da vida aonde
brilham as três marias,
tão lindas e saudáveis,
saudosas felizes paisagens.
E você vendo crescê-las,
bem enquadrada,
brilho, contraste, luz,
em cores perfeitas.
Todos os personagens continuam lá
congelados no tempo,
testemunhando em meu favor,
meu amor,
meu sacrifício.
Mas eu sai desfocado,
perdido, arranhado
na fotografia.
do outro lado da máquina
fria, vazia.
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Obrigado, meu amigo
Pela amizade que a mim devotas,
por meus valores que você aumenta,
por meus defeitos que você nem nota,
por minha fé que você alimenta.
Por esta paz que nós nos transmitimos,
pelo silêncio que diz quase tudo,
por este pão de amor que repartimos,
por este olhar que me reprova, mudo.
Pela pureza dos seus sentimentos,
pela presença que em todos os momentos
se faz presente mesmo estando ausente,
Por ficar triste quando estou tristonho,
por rir comigo quando estou risonho,
por ser feliz quando me vê contente.
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Monsões
Sopra forte o teu vento nortenas ruas tortas, velhos casarões
sopra tua brisa me trazendo a sorte
notícias dessas terras das monsões
Tua cuviana se traduz: lamento
um grito ao mar, pedido de socorro
teus manguezais, carnaubais e morros
já não suportam mais o sofrimento
Foste tu, terra dos charqueados,
tuas histórias, pastoris, reizados
os teus poetas, médicos e loucos
Como esquecer do rio que te corta
com seu gemido quase não suporta
os seus algozes a matar-lhe aos poucos.
Carlinhos Medeiros