quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Que em 2009

Todos nós possamos viver com mais alegria, prosperidade, companheirismo, harmonia, solidariedade, em fim, que o AMOR prevaleça nas relações entre as pessoas.
Que amemos uns aos outros como pregou JESUS CRISTO, assim, o mundo será melhor...
FELIZ ANO NOVO à todas as pessoas desse nosso imenso planeta.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Em 2008

À todas as pessoas que aqui vieram.
FELIZ NATAL!!!

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Registro em fotografias: As meninas de seu Chico Holanda e dona Mazé.


Em 1970, em nossa casa, na comunidade Córrego de Areia, onde passamos a infância.

As três irmãs, na seqüencia da esquerda para direita: Izolda Maria (minha irmã mais velha, com a idade de 10 anos) Izelda Regina, a segunda filha (com 6 anos) e Izabel Cristina (minha irmã mais nova com 5 anos).


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Em 1978, no colégio onde estudávamos, na sede do município de Limoeiro do Norte.

Na mesma seqüencia. Nesta foto tínhamos 18, 14 e 13 anos, estávamos usando o uniforme do colégio depois do desfile obrigatório no dia 7 de setembro.


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Em 2008, na praia de Tremembé em Icapuí, num encontro de fim de semana.

Também na mesma seqüencia. E nesta, depois de 30 anos passados, somos nós, as mesmas três irmãs.
Hoje, Izolda continua morando em Limoeiro, Izelda mora em Icapuí e Izabel em Fortaleza.

Fotografias que revelam o tempo, e o que o tempo nos revela...

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sábado, 29 de novembro de 2008

A Razão da Natureza

Uma poesia do escritor cearense Antonio Filgueiras Lima, que nos descreve neste poema o drama das enchentes sempre presente na vida dos brasileiros, seja no norte, sul ou nordeste...


Foto retirada da Bodega Cultural


A ENCHENTE

Era a casa de tijolo, à beira do rio,
a melhor do lugar.

Na noite preta como o cão
as águas do rio incharam,
cresceram,
inundaram tudo
e continuaram inchando
e crescendo sem parar...

A casa ficou perdida no meio do rio
como um navio no alto-mar.
Pequeninas e pálidas estrelas
cobriram o rosto com o lenço das nuvens,
com medo de olhar...

- Eh! canoeiro! socorro!
- Se a enchente continuar como vai,
daqui para o dia amanhecer
a casa cai!

E a voz aflita e lúgubre gemia
no silêncio da noite de agonia.

- Socorro, canoeiro!
- Só a canoa "lracema"
Poderá atravessar.
Uma canoa pequena
ainda é pior: pode virar.

...............................................
- Socorro, canoeiro,
- Eh! canoeiro, socorro, socorro!

Chuá. . . chuá. . . chuá...
Os remos atassalham o dorso do rio,
e a canoa, que ginga e se embalança,
rasga as águas,
corta o vento,
rompe a treva,
fura a noite
- e avança!

Da casa que o rio sitiou
parte um grito de alegria que vale um poema!
- É a canoa "lracema"!
- É a canoa "lracema"!

- Afinal, estamos salvos,
por causa de nossa fé.
Viva Nosso Senhor Jesus Cristo!
E viva Nossa Senhora,
Santa Bárbara, São Jerônimo,
São Francisco de Canindé!

Agora, de volta à terra,
conduzindo os que salvou da enchente,
a canoa, que ginga e se embalança,
corta o vento,
rasga as águas,
rompe a treva,
fura a noite
- e avança!
E avança!

Antonio Filgueiras Lima

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

domingo, 2 de novembro de 2008

Paisagens de Icapuí-Ceará-Brasil.

Estas são algumas paisagens da praia de Redonda em Icapuí, uma cidadezinha no litoral leste do Ceará, no nordeste brasileiro.
Onde nós temos o privilégio de morar. Essas fotografias são apenas uma pequena amostra das belezas de nossa querida Icapui. Existem outras praias no município tão belas quanto esta.
Em outro momento lhes apresentarei...

Fotos: Thaíse Nunes Vieira

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Uma poesia, um presente.

Uma amiga, uma dádiva...

Outro dia recebi por e-mail uma poesia de uma amiga muito querida, que agora também é acadêmica da ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Neste post quero homenageá-la por ser uma das presenças assídua do Córrego de Areia.

Maria de Lourdes Aragão Catunda – Poetisa, escritora e cordelista. Nascida e criada em Ipueiras-CE, conhecida popularmente como Dalinha Catunda, é nordestina de fibra, poeta e uma grande mulher.
A você amiga, meus parabéns, e muito sucesso sempre.



A Morte da Ingazeira


Às margens do rio Pai Mané

Soberana e altaneira,

Em meio a tantas árvores

Destacava-se uma ingazeira.


Sua beleza era tanta

Que roubava a atenção

Daqueles que passavam

Por aquela região.


O meu olhar encantado,

Admirava sem cansar

A obra da natureza

Ornamentando o lugar


Passei algum tempo fora

Mas dela nunca esqueci

Quando voltei a cidade,

P’ra revê-la então corri


Qual não foi minha tristeza,

Qual não foi minha agonia,

Em vez da árvore frondosa,

apenas um esqueleto havia


Aquele esqueleto é o símbolo,

Da farta destruição,

Motivada pelas queimadas,

Prática em nosso sertão.


Dalinha Catunda



quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sem perder a ESPERANÇA jamais...

Foto:Izelda Maia



PRA ALCANÇAR

NOSSO PAI, NOSSA MÃE
NOSSA JUVENTUDE
SABE O ESFORÇO, POR NOSSA TERRA
VIVEMOS UM TEMPO, DE MUITA PROVAÇÃO
LUTAR É PRECISO, PELO NOSSO CHÃO

SEI QUE A PRIMAVERA NÃO CHEGOU
QUE TEMOS MUITO A CAMINHAR
PARA ALCANÇAR
NOSSO SONHO DE SER FELIZ

MESMO QUE PAREÇA LONGE
NÃO DESANIMAR
MUITO CONQUISTAMOS
É SEMPRE BOM LEMBRAR
É SEMPRE BOM LEMBRAR E CANTAR

JUNTOS OUTRA VEZ
NESSE CAMINHAR
NA ESTRADA DA VIDA, EU E VOCÊ
CRESCER E PERPETUAR...

Célio Augusto/Paulo Mamede
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Homenagem à Calinhos Medeiros

Hoje quero fazer uma homenagem especial à Carlinhos Medeiros. Comemoramos neste dia o seu aniversário, e faço-lhe essa singela homenagem.


"Guarda contigo a melodia da gratidão
Com que te envolvo o caminho pela dádiva que me estendes,
mas acima de tudo, agasalha-me no calor de teu coração
para que minha lágrima se erga ao céu,
como prece de alegria na Paz Augusta de Deus."
( Altruísmo - Carlinhos Medeiros)

"Ensina-me aonde conseguir a verdadeira sabedoria
para que eu possa aplicá-la em favor daqueles que
não tiveram a oportunidade de conhecê-la, e se a
conheceram, não tiveram humildade suficiente para
usufruí-la em toda sua plenitude... "
( Meu querido mestre - Carlinhos Medeiros)



"De manhãzinha cedo canta o sabiá
Anunciando mais um novo amanhecer
Eu sinto o cheiro no sereno no brotar
Das lindas flores da casa de massapé"
( Azul - Carlinhos Medeiros)



"Encontrei-te de uma forma casual
com o brilho das safiras que cintilam
as estrelas acanhadas que desfilam
tua alma de beleza sem igual"
(Nove Luas - Carlinhos Medeiros)

"São teus olhos, a razão da minha existência.
Não fossem por eles, eu não estaria mais aqui.
E não contemplaria esse bendito fruto,
Céu de estrelas e planetas - via Láctea."
( Teus Olhos - Carlinhos Medeiros)

"As pessoas com alma perfumada
Que humano nenhum jamais sonhou
Durante toda vida semeou
O amor, e a paz tão desejada."
( Alma Perfumada - Carlinhos Medeiros)

...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A magia da poesia de Cora Coralina

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher." Cora Coralina

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás.

Se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno. Só em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu por muito tempo de sua produção de doces, até ficar conhecida como Cora Coralina, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha.

Nascida em Goiás, Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois que o marido, o advogado paulista Cantídio Brêtas, morreu, em 1934. “Mamãe foi uma mulher à frente do seu tempo”, diz a filha caçula, Vicência Brêtas Tahan, autora do livro biográfico Cora Coragem Cora Poesia. “Dona de uma mente aberta, sempre nos passou a lição de coragem e otimismo.” Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Cora, que começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário. Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida, participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira.

Acervo: 48 pensamentos de Cora Coralina.



Textos inéditos
Do baú de inéditos de Cora Coralina,


Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.


Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão


Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração.


Bati na porta de um coração.

Bati. Bati. Nada escutei.

Casa vazia.

Porta fechada, foi que encontrei...

Cora Coralina

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Poesia brasileira, aqui.

"A forma ousada dos seus versos, de um ritmo livre e bastante pessoal, harmoniza-se com a liberdade de inspiração, onde predomina um forte sensualismo, tão forte que Humberto de Campos notava-lhe nos poemas verdadeiras 'tempestades de carne'... Seus livros provocavam, simultaneamente, admiração e escândalo, já que a poetisa confessava sentir pêlos no vento', desejava penetrar o amado 'pelo olfato, assim como as espiras/invisíveis do aroma...' e declarava, sem rebuços: 'Eu sinto que nasci para o pecado'."

"(...) Gilka Machado foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma. Nem sua ousadia tinha impureza, mas punha à mostra a riqueza de seus sentidos, especialmente de um pouco explorado em poesia, o tato. Sua sensibilidade é requintada, algo excêntrica, mas profundamente feminina."



Baú de Guardados

Pelos caminhos da vida
fechei os olhos às coisas feias,
porém as belas guardei-as
no meu baú de guardados

Por certo ninguém pressente,
vendo sempre vazios
meus braços,
o que conduzem
meus passos
neste baú de guardados

E vou resgatando
em penas,
ai! como venho pagando
em choros
os pequeninos tesouros
do meu baú de guardados


Gilka Machado

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Uma poetisa potiguar

Auta de Sousa

- "A poetisa mística do Brasil", nasceu e morreu no Rio Grande do Norte.

Simbolista, como seu irmão HenriqueCastriciano de Sousa.

Alma delicada e mística.

Segundo relato de Luís da Câmara Cascudo,

amou em silêncio e morreu tuberculosa aos 25 anos de idade,

depois de pedir: "Moças, não contem que eu vou morrer!"

Seu excelente livro de versos "Horto", de 1900, foi prefaciado por Olavo Bilac, tendo sido publicada,

do mesmo, em 1936, uma outra edição, prefaciada por Alceu Amoroso Lima.

Auta de Sousa, que não tem a popularidade de fato merecida, é autora dentre outros, do soneto "Lágrimas":

Apresentamos agora, mais um dos seus belos sonetos, de Auta de Sousa,

"O beija-flor":


Foto: Galvão Maldonado



O BEIJA-FLOR

Acostumei-me a vê-lo todo o dia
De manhãzinha, alegre e prazenteiro,
Beijando as brancas flores de um canteiro
No meu jardim - a pátria da ambrosia.


Pequeno e lindo, só me parecia
Que era da noite o sonho derradeiro...
Vinha trazer às rosas o primeiro
Beijo do Sol, n’essa manhã tão fria!


Um dia, foi-se e não voltou... Mas, quando
A suspirar, me ponho contemplando,
Sombria e triste, o meu jardim risonho...


Digo, a pensar no tempo já passado;
Talvez, ó coração amargurado,
Aquele beija-flor fosse o teu sonho!


Auta de Sousa


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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Nostalgia.

Nostaugia...bateu a minha porta e contemplando o córrego da vida, vi surgir a esperança entre os grãos de areia... Fernando Pessoa veio e trouxe essa poesia, vejam!.

Foto: Izelda Maia


Sossega, coração! Não desesperes!

    Sossega, coração! Não desesperes!
    Talvez um dia, para além dos dias,
    Encontres o que queres porque o queres.
    Então, livre de falsas nostalgias,
    Atingirás a perfeição de seres.

    Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
    Pobre esperença a de existir somente!
    Como quem passa a mão pelo cabelo
    E em si mesmo se sente diferente,
    Como faz mal ao sonho o concebê-lo!


    Sossega, coração, contudo! Dorme!
    O sossego não quer razão nem causa.
    Quer só a noite plácida e enorme,
    A grande, universal, solente pausa
    Antes que tudo em tudo se transforme.


    Fernando Pessoa, 2-8-1933.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Poesia em todo canto.

Estava eu, navegando por esta maravilha que é glogosfera, e deparei-me com mais um blog de poesias onde encontrei mais um dos belos poemas de Drummond, e confesso não resisti, copiei e trouxe para as areias deste córrego, para todos nós que gostamos de tudo que nos fala de poesia encher as nossas almas com mais um poema de amor.


Foto: Carlinhos Medeiros


Amor antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


Carlos Drummond de Andrade(Amar se aprende amando)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mais um dos grandes poetas do meu Ceará.

Quero apresentar mais um dos grandes nomes da literatura cearense. Antônio Filgueiras Lima, escritor e educador, destacou-se no cenário educacional por defender uma "Educação para LIBERDADE e para a PAZ.
Poeta, autor de belíssimos poemas. Para conhecer outras poesias acesse o link:

"A ambiência educativa que criei em torno da mocidade, no Colégio Lourenço Filho, não deixa margem a desatinos e revoltas, a explosões de complexos e injustiças recalcadas. Quis sempre que os jovens sentissem uma confiança espontânea em seus mestres e condutores, a começar por aquele a quem toca a maior parcela de responsabilidade nesta tarefa árdua e grandiosa de educar. Humildade, serenidade, verdade e amor - eis as pilastras da obra que venho construindo, há quase vinte e oito anos, sem um instante de descrença, sem um minuto de pessimismo. Creio na mocidade porque nela há uma parcela divina que espalha claridade a todo instante." (Antônio Filgueiras Lima)

Ipê, uma das árvores símbolo de nossa vegetação.


Quando começou o inverno


Nem uma nuvem pelo céu!
E os olhos ansiosos do caboclo
lera, nas impassibilidade do infinito,
o terrível destino do cearense!
Chupou no cachimbo longamente
e, depois, lá se foi
pela estrada poeirenta,
assobiando qualquer coisa que dizia — Esperança.

Mas, noutra manhã, ao despertar,
o sertanejo escutou,
de sua rede de algodão,
a polêmica dos sapos na lagoa,
a cantiga da chuva nos caminhos
e o choro alegre dos rios nos grotões...
E quando, da porta de sua casa pobre
— para mim muito mais rica do que um templo! —,
ele viu a vegetação ressuscitando
e as árvores engalanadas de folhas verdes,
pôs a enxada no ombro,
beijou os filhinhos e a esposa
e seguiu para a roça, alegremente,
a cantar qualquer coisa que dizia — Felicidade!


(A terra molhada pela chuva
tinha o cheiro das mulheres do sertão...)


Antônio Filgueiras Lima
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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos namorados

Olá, amigas e amigos do Córrego de Areia.

Hoje é uma data muito especial, onde aproveito para apresentar o novo template do meu blogue e postar um poema em comemoração ao dia dos namorados do nosso grande poeta Romério Rômulo. Aproveitem e façam uma visitinha ao seu weblog.

Depois comentem o que acharam do nosso novo visual,

Um abraço!

se do amor

se de amor eu canto o meu, somente,
na podridão da terra, entre brados tamanhos,
os tempos que perdi foram antanhos
e cabem no meu corpo já fervente.
brados passaram, em dores e mortalhas,
pisos vadios, estados diferentes.
eu peço, amor, do teu amor migalhas
que possam abismar todas as gentes.
vilão, daqui, em campo de batalhas,
só me atormenta a espada do vilão
que sem saber me cobre. indiferentes
do que me dói, os corpos destas terras
nem sabem o que dão e se me dão
alguma luz pra me tirar das trevas.

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Córrego de Areia, minha infância...

Quem no Córrego de Areia não tinha no quintal de casa um cata-vento?
Um cacimbão?
Ao ler este soneto volto à minha infância, tempos de inocência e simplicidade.
Como era divertido quando juntávamos os primos e primas, fosse no sítio de Zé Lopes e Pastorinha, ou no de Vitória e Zé Vidal, às vezes na casa de tio Sebastião e tia Vitória (de Luiz Nunes) ou de tio Crispim e tia Elisa, não importava, se estávamos juntos a brincadeira era certa.
Quanta saudades... velhos tempos... belos dias... infância.



Um cata-vento de brinquedo


De extinto cacimbão o cata-vento
puxa ao meu rosto as águas de outra idade.
Ele é só um brinquedo, mas vale
pelas recordações que guardo dentro


do menino que mora aqui ao lado,
e sabendo de cor a cor dos ventos,
tem na ponta da língua, decorados,
uns gestos infantis de cata-ventos.


Flandre e ferro somados pela solda:
sendo brinquedo, brinca no jardim,
à brisa mais maneira já se alegra.


Brinca sem compromisso, roda e roda,
se fingindo irrigante desta terra,
num faz-de-conta de aguar jasmins.


Virgílio Maia

quinta-feira, 22 de maio de 2008

o tempo

O tempo...
o caminho...
A VIDA.
O dever de casa de cada um...
deixei de fazer algumas das lições do dever que levei prá casa!? Penso...

Foto: Izelda Maia

A VIDA

A vida são deveres que nós trouxemos pra fazer em casa.

Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!

Agora, é tarde demais para ser reprovado...

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada inútil das horas...

Dessa forma eu digo:
não deixe de fazer algo que gosta
devido à falta de tempo.

A única falta que terá, será desse tempo
que infelizmente... não voltará mais.

Mario Quintana

terça-feira, 6 de maio de 2008

Lua Rara - Carlinhos Medeiros

Este post é dedicado ao trabalho de Carlinhos Medeiros como músico, cantor e compositor. Apresento-lhes uma amostra do cd Lua Rara totalmente autoral, com composições belíssimas que ao ouvi-lo nos encantamos com sua voz suave e ao mesmo tempo forte.

No link a seguir você pode acessar o sitio oficial de Carlinhos Medeiros.

sábado, 12 de abril de 2008

aqui, mais um poeta...

Este é mais um desconhecido poeta, que ainda não teve a oportunidade de ver sua obra literária publicada. Com seu estilo próprio e peculiar coloca toda sensibilidade de poeta em seus escritos na forma de sonetos, poemas, crônicas e contos.
Carlinhos Medeiros, poeta, músico, cantor e compositor, dono de uma privilegiada voz e de enorme talento. Entretanto, desconhecido do grande público, vive num desses recantos do Brasil, numa cidadezinha do interior do Ceará, no nordeste brasileiro.
Eu particularmente, sou fã número um do seu trabalho, e vou postar aqui algumas de suas poesias.



Teu sorriso alento

Nada vale mais em mim, do que o teu sorriso alento
ao despertar, depois do sono ansioso
em meio às perseguições de um passado vivo
em nervos à flor da pele, como um zumbi perdido
não consigo me entristecer além de meros sonhos

Nada é mais reparador em mim, do que o teu sorriso alento
e nele vejo-te tão suprema, a esperança
a última que se perdeu, e que tanto tanto
reluta habitar-me o peito – a sua eterna morada
um minuto apenas de descanso
querer dormir assim, sem hora para acordar
Enfim, sem fim...

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Nove luas

Encontrei-te de uma forma casual,
com o brilho das safiras que cintilam
nas estrelas, acanhadas que desfilam
tua alma de beleza original

Veio a lua vaidosa confirmar
que você era fruto do amor
entre ela e o sol quase a se pôr
numa noite, namorando junto ao mar

E depois de passado nove luas
entre nuvens e marolas quase nuas
saborosamente branca, a luz nasceu

Teu sorriso, tua pele, tua alma
brilham mais do que a própria estrela d’alva
recompensa dessa dor que Deus me deu.

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A fotografia

Quando me sinto perdido,
julgado culpado, ofendido,
olho a fotografia
e me recordo o tempo que não se foi.

Sol, sorrisos,
e os verdes campos tão floridos.
Vida extensão da vida aonde
brilham as três marias,
tão lindas e saudáveis,
saudosas felizes paisagens.

E você vendo crescê-las,
bem enquadrada,
brilho, contraste, luz,
em cores perfeitas.

Todos os personagens continuam lá
congelados no tempo,
testemunhando em meu favor,
meu amor,
meu sacrifício.

Mas eu sai desfocado,
perdido, arranhado
na fotografia.
do outro lado da máquina
fria, vazia.

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Obrigado, meu amigo

Pela amizade que a mim devotas,
por meus valores que você aumenta,
por meus defeitos que você nem nota,
por minha fé que você alimenta.

Por esta paz que nós nos transmitimos,
pelo silêncio que diz quase tudo,
por este pão de amor que repartimos,
por este olhar que me reprova, mudo.

Pela pureza dos seus sentimentos,
pela presença que em todos os momentos
se faz presente mesmo estando ausente,

Por ficar triste quando estou tristonho,
por rir comigo quando estou risonho,
por ser feliz quando me vê contente.

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Monsões

Sopra forte o teu vento norte
nas ruas tortas, velhos casarões
sopra tua brisa me trazendo a sorte
notícias dessas terras das monsões

Tua cuviana se traduz: lamento
um grito ao mar, pedido de socorro
teus manguezais, carnaubais e morros
já não suportam mais o sofrimento

Foste tu, terra dos charqueados,
tuas histórias, pastoris, reizados
os teus poetas, médicos e loucos

Como esquecer do rio que te corta
com seu gemido quase não suporta
os seus algozes a matar-lhe aos poucos.

Carlinhos Medeiros

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Eu conheço esse POETA?

José Guilherme de Araújo Jorge


Esperança


Não! A gente não morre quando quer,
Inda quando as tristezas nos consomem.
Há sempre luz no olhar de uma mulher
E sangue oculto na intenção de um homem.


Mesmo que o tempo seja apenas dor
E da desilusão se fique prisioneiro.
Vai-se um amor? Depois vem outro amor
Talvez maior do que o primeiro.


Sonho que se afogou na baixa-mar,
De novo há de erguer, cheio de fé,
Que mesmo sem ninguém o suspeitar,
Volta a encher a maré.


Não penses que jamais hás de achar fundo
Nem que entre as tuas mãos não terás outra mão.
Pode a vida matar o sonho e o sol e o mundo,
Mas não nos mata o coração.


(Poesia de Maria Helena,– extraído do livro
Concerto a 4 mãos - de JG de Araujo Jorge - 1959 )


Vejamos um pouco de sua biografia:


Nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, Estado do Acre. Filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge e Zilda Tinoco de Araujo Jorge.

Descendente, pelo lado paterno de tradicional família alagoana, os Araujo Jorge, e pelo lado materno dos Tinocos, dos Caldas e dos Gonçalves, de Campos, Macaé, e S. Fidélis, Estado do Rio.

Passou sua infância no Acre, em Rio Branco, onde fez o curso primário no Grupo Escolar, 7 de Setembro. No Rio , realizou o curso secundário nos Colégios Anglo-Americano e Pedro II Colaborou desde menino na imprensa estudantis. Foi fundador e presidente da Academia de Letras do Internato Pedro II, dessa época, ainda ginasiano, sua primeira colaboração na imprensa adulta: em 1931 viu publicado o seu poema "Ri Palhaço, Ri" no "Correio da Manhã", depois transcrito no "Almanaque Bertand" de 1932.

Em 1932, No Externato Colégio Pedro II, em memorável certame, foi escolhido o " Príncipe dos Poetas", sendo saudado na festa por Coelho Neto, "Príncipe dos prosadores brasileiros" recebendo das mãos da poetisa Ana Amélia, Presidente da Casa do Estudante, como prêmio e homenagem, um livro ofertado por Adalberto Oliveira, então " Príncipe da Poesia Brasileira".

Com irrefreável vocação política, foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se Deputado Federal em 1970 pela Guanabara, reelegendo-se já para o seu terceiro mandato em 1978 .

Ocupou a vice-liderança do MDB e a presidência da Comissão de Comunicação na Câmara dos Deputados.

Politicamente participou sempre das lutas anti-fascistas, como democrata e socialista. Lutou, ainda estudante, contra o "Estado Novo". Foi preso e perseguido várias vezes durante esse período . Deixou de ser orador de sua turma por estar detido na Vila Militar, sob as ordens do Gal. Newton Cavalcanti, durante todo "estado de guerra" de 1937.

Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático.

Foi um dos poetas mais lidos, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil.

Faleceu em 27 de Janeiro de 1987.

sábado, 22 de março de 2008

Feliz Páscoa!!!!

Páscoa

Páscoa é renascimento...

É passagem...

É mudança e transformação...

É ser novo um mesmo ser

Que recomeça pela própria libertação.

Fica para trás uma vida cheia de poeira

E começa agora um novo caminhar

Cheio de luz, de fortalecimento,

Esperanças renovadas,

E um arco-íris rasga o céu

E parece balbuciar que Jesus ressurgiu

para nos provar que o amor

incondicional existe, assim como a vida eterna.

UMA Feliz Páscoa!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Aniversário de A Recalcitrante, Meg.

...poesia de um extraordinário poeta mineiro, que tenho à hora de fazer parte de sua rede de amigas...


Em comemoração a um ano de globosfera de A Recalcitrante, nossa querida Meg, dedico-lhe este poema de nosso amigo em comum, Romerio Rômulo.




o ato de nascer em cada ponto

carrega uns navios, umas flores,

todos os atos, breves, só completam

o ano do seu turnos já rasgados.

quantos de nós se sabem nestes rios,

se o fino odor do mundo se deslava

no corpo ao nascer do próprio ato?

quando nascer é tanto, que se diga

de só nascer se ato completado

por força de saber-se o incompleto.

(pontes)


Romério Rômulo

 

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